Anjos

Eu estava atravessando a Brigadeiro, bem na esquina com a Ribeirão Preto, quando ele apareceu.
Tinha no máximo um metro e cinquenta, um homem-gabiru. Negro, com uma barba já grisalha e desgrenhada. Os cabelos despenteados e sem corte. Os traços eram finos, assim como as rugas do rosto.
A camisa branca, suja e amarrotada, com algo que era entre um colete e um paletó verde malva, por cima. A calça azul escuro, social, amarrada com um cordão branco. Não reparei se usava sapatos.
Estava indo ao mercado, na verdade só passar no caixa eletrônico, sem grana, pensando em quantas vezes já havia feito isso nesta semana. A gente não percebe o quanto gasta, quando fica fazendo saques picados para isso e para aquilo. Além disso, tinha a sensação de que não era chamada para trabalho nenhum há algum tempo, e isso começa a dar um certo frio no estômago, que sobe até a garganta e acaba em um nó.
Sei que todo mundo passa por isso, e que não está fácil para ninguém, porém a gente vai entrando num turbilhão de insegurança quando o mês fecha e as entradas não chegam. Preocupações terrenas que abalam qualquer fé!
Talvez por isso mesmo ele apareceu.
Eu lá, atravessando na faixa, já entre o meio da rua e a calçada, e ele vem em minha direção. Para na guia, olha direto para mim, e num gesto de maestro em gran finale, ergue os braços acima da cabeça, abertos, as mãos espalmadas e manda uma onda de energia imensa em minha direção.
Era como se asas invisíveis ligassem os braços dele às costas. Grandes, brancas, luminosas. Tudo isso que não estava lá e que só eu via. Sua aura clara, brilhante, esplendorosa.
Isso tudo durou de um milionésimo de segundo à eternidade.
Tudo eu pude sentir nesse tempo. A minha pequenez, minha mesquinharia, minha falta de gratidão para com a Vida, minha miserável tentativa de controlar o fluxo do Universo, meus lamentos no travesseiro, minha falta de visão do Todo, do Todo que eu não sei ser, enfim.
Tudo isso eu pude sentir, eu pude ver, e principalmente ouvir, naquele silêncio sepulcral que fazia meus ouvidos quase explodirem de tanto não ouvir.
– Como a gente pode ser tão sem noção assim? Tão preocupados com nossas coisinhas – aliás ouvi isso semana passada, que eu estava preocupada com minhas coisinhas -, enquanto uma Vida inteira se desenrolava ao redor.
O máximo que o ser humano consegue alcançar, quando ferra tudo geral, é enxergar o próprio umbigo, e olhe lá!
Mas como a Humanidade tem jeito, e eu faço parte dela, há Seres melhores que nós, que trabalham para esse final dar certo. E aí nos proporcionam esses estados de suspensão, nos quais é possível vislumbrar tanto a tragédia quanto a comédia de nossa existência, e com base nessa visão mais integral, podemos respirar um pouco mais e seguir adiante.
Vai ver que por isso mesmo o que se seguiu foi tão automático quanto autêntico.
Eu – sem pensar em nada – ergo também meus braços, acima da cabeça, mãos espalmadas, e agradeço à bênção que ele me envia, retribuindo da mesma forma.
Ele aperta os lábios em sinal de concordância, e meneia a cabeça como quem terminasse um turno de trabalho bem feito.
Cruzo a rua, sigo para o mercado, não olho para trás. Para que? Ele não estaria mais ali mesmo. Quem além de mim viu aquele ser? Ninguém, tenho certeza. Era um morador de rua? Sabe-se lá. Era um catador de papelão? Vai saber…!
Mas com certeza era um Anjo, e Anjos, a gente não olha para trás para conferir.
‘Bora tirar dinheiro.

Anjo dark

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Possibilidades

Pode ser que quando você resolva voltar,

A minha mágoa já não permita

Pode ser que quando eu perdoar

Você já não queira me amar

Pode ser que a gente seja tão hipócrita,

Que quando for para se abrir

A gente se tranque

Pode ser que ao invés de sorrir

Um para o outro,

A gente finja que não se viu

Pode ser que quando meu ego arrefecer

Teu perdão não me encontre mais

Pode ser que nosso orgulho sufoque

Tudo que foi tão bom…

E que nunca mais haja tudo,

E nem o que foi tão bom.

Pode ser que eu fique na chuva

Que você não seja mais meu sol

Pode ser.

Porém, pode ser também

Que nada disso ocorra

E que ao invés disso,

A gente aprenda a se amar

E ser feliz

Pode ser.

E eu prefiro que

Seja assim.

– Pode ser?

chuva sol mulher

Poema Bruxo

De todas as fogueiras nas quais eu já queimei

Eu honro a Luz,

De todas as masmorras nas quais já apodreci

Eu honro a Luz,

De todos os sabres que já me deceparam a cabeça

Eu honro a Luz,

De todas as almas que eu já praguejei e amaldiçoei

Eu honro a Luz,

De todos os sortilégios e feitiços que preparei e lancei

Eu honro a Luz,

De todas as religiões e seitas que abjurei

Eu honro a Luz,

De todos aqueles que eu enriqueci e fali

Eu honro a Luz,

De todos aqueles que eu enlouqueci e feri

Eu honro a Luz,

De todas as chagas que eu criei e espargi

Eu honro a Luz,

De tudo que fui, pensei e senti

Eu honro a Luz,

De tudo quanto absorvi, ganhei e consegui

Eu honro a Luz,

De tudo que me foi farto, abundante e eu perdi

Eu honro a Luz,

mulher treva luz

De tudo que me foi escolha, arbítrio e eu sucumbi

De tudo isso, honro minha Sombra

Porque foi por enxergá-la que hoje eu pus

Sobre o manto do breu em que vivi

O reconhecimento da escuridão de onde sai

Porque de toda minha jornada desventurada

Eu primeiro honro a minha queda

Porque foi preciso antes ser treva

Para depois reconhecer

Que esse Ser que se eleva

É um Ser de Luz

O Quanto Baste

Eu não quero que me ames demais

Porque isso não seria Amor e sim apego

Eu não quero que me cuides demais

Porque isso não seria Cuidado, mas controle

Eu não quero que me queiras demais

Porque isso não seria Desejo, e sim posse

Eu não te necessito todos os dias

Porque isso não seria Querer

Seria amar-me de menos

Eu quero que me Ames tanto sempre

Quanto às vezes

Eu quero que me Cuides a cada minuto,

E que entre um e outro me esqueças

Eu quero que me Desejes tanto,

Que eu não te falte nas ausências

O que eu quero é o quanto baste

Tanto de ti quanto de mim.

balança

Consumação

Você me preenche de maneira

Que fico semanas sem comer

Passo meses inteira

E mais de ano sem beber

Você me consome de forma

Que passo dias  exaurida

Tentando me refazer

Extenuada, dorida

Confusa com esse prazer

Você me olha de um jeito

Que preciso de uma vida

Para desfazer o efeito

E me recompor da mexida

O seu beijo tem um feitio

Que me perco na sua língua

Lesa, louca, é doentio

Quase que morro à míngua

Você me faz tanta falta

Que eu chego a nem saber

Se o que eu sinto exalta

Ou diminui meu ser.

Casal

Licenças, plantas e uma chuva

Haviam se conhecido através de um projeto. Ela advogada, especializada em licenças ambientais. Ele paisagista. Um cliente comum precisava das benditas licenças para um empreendimento no qual ele faria todo o paisagismo, e foi aí que a coisa se deu.

A especialidade dela era agilizar a burocracia tendo sempre tudo o que era necessário, antes mesmo de ser pedido. Isso não só irritava os burocratas dos órgãos governamentais com os quais ela tinha que lidar, como fazia sua clientela crescer a olhos vistos.

Já o expertise dele era conseguir que a beleza das plantas nativas conversasse com o gosto dos clientes, sem que o equilíbrio ambiental fosse rompido.

De longe eram pessoas muito diferentes! Ela prática, determinada, gostava de resolver tudo rapidamente, sem delongas.

Ele tinha o tempo que o bambu leva para crescer, avaliava sempre todas as possibilidades e não acreditava que havia uma única resposta para qualquer questão, fosse de que tamanho fosse.

Uma coisa tinham em comum, ambos eram apaixonados pelo que faziam, e foi aí que se encontraram.

Como o timing de qualquer cliente é sempre para ontem, as reuniões de trabalho que tinham – cada vez mais frequentes – acabaram por ser feitas durante os horários de almoço, que era para otimizar o tempo, segundo ela mesma gostava de repetir. Para ele almoço, era para comer, mas acabou cedendo.

Das conversas dos almoços acabaram descobrindo não pontos em comum, mas que gostavam de saber que o outro era diferente de si. Isso foi se transformando em certa curiosidade por este ser misterioso – já que vinham de mundos totalmente diferentes -, e resolveram, cada um por seu turno, vagarosa e cuidadosamente, adentrar no “território inimigo” para conhecer este estranho ser que se descortinava à sua frente.

As licenças demoram, as plantas crescem, os clientes mudam de opinião, e o que era um simples projeto transformou-se em meses de trabalho, praticamente um ano e meio até que tudo fosse concluído.

A essa altura já os almoços não eram mais de trabalho, e já haviam arriscado alguns jantares, duas peças de teatro e uma vernissage. Pode não parecer muito, mas há que se entender que estamos falando de uma burocrata e de um ecologista, portanto para ambos todo cuidado é pouco.

Houve mesmo algumas situações bastante embaraçosas como encontrar amigos dele participando de uma passeata contra a forma como as licenças ambientais viriam a ser obtidas, sendo que ela era totalmente à favor dos novos procedimentos, que em seu modo de entender eram mais ágeis.

Isso era só a ponta do iceberg.

Havia diferenças irreconciliáveis na opinião de ambos, ele era apaixonado por futebol, ela tinha plena convicção que futebol era o ópio do povo. Ela amava o inverno, o frio, tomar vinho. Ele adorava praias, verão e chope com os amigos. Ela lia, ele via televisão.

Encontraram-se em um novo cliente, que não sabiam ser comum. Dessa feita o empreendimento ficava na serra, fora da cidade.

Ela havia saído de sua casa cedo, porque não gostava de chegar nos lugares em cima da hora, principalmente quando não conhecia a região, sua reunião era só à tarde. Como a meteorologia previa chuva, ela resolveu ir antes para não ter de enfrentar uma estrada sinuosa, mão dupla, chuva. Fizera bem, porque como havia chovido muito, um desbarrancamento acabou interditando a única estrada de acesso ao local.

Ele já estava lá havia uma semana. Coletava dados com os parceiros locais sobre a melhor maneira de atender ao cliente sem causar danos às espécies nativas da região, já tão maltratadas.

Não só o cliente não conseguiria mais chegar, devido às condições da estrada, ou antes à falta delas, como estavam ambos presos no local. Não que fosse um lugar ruim, longe disso. A cabana era muito bem estruturada e aconchegante, pois além de estadia servia também de escritório para o dono da incorporadora em suas visitas.

A questão é que o caseiro não estava. Tendo em vista que o “engenheiro das plantas”, como o caseiro se dirigia a ele, já estava lá, resolveu ir com a mulher e as filhas para cidade, logo cedo. Compras do enxoval da mais velha que se casaria em breve.

Em resumo, ambos estavam presos em uma cabana entre nada e coisa alguma, no meio da serra, diante de uma paisagem de tirar o fôlego. Porém, com uma chuva que não parava de cair. Conforto tinham, uma torre instalada logo na entrada do empreendimento, e com vários rebatedores espalhados, garantia internet rápida. A energia elétrica e água encanada também não eram problema, de forma que toda infraestrutura que uma cidade oferece, ali estava garantida.

Havia apenas um pequeno problema. Estavam sós. Nunca haviam ficado à sós antes. Alguns minutos talvez, mas sempre se esperava que alguém chegasse, ou que eles mesmos fossem ao encontro de alguém, portanto isso nunca chegou a ser um tempo que chegasse a causar constrangimento.

Agora porém…

Refugiaram-se no trabalho e na internet o quanto foi possível. A hora do almoço veio e foi, cada qual comeu qualquer coisa sobre seu notebook. A determinado momento ele arriscou convidá-la para conhecer a propriedade, mesmo embaixo de chuva – o que para ele não era problema nenhum -, já para ela…

Capa, galocha e guarda-chuva, toda paramentada, ela não deixaria que ele a chamasse de patricinha por causa de uma “chuvinha de nada”, na opinião dele. Ora, aquilo era um dilúvio!?

Saíram.

Ele de chapéu e botas, nada além do que usava em seu dia a dia. Fez a concessão de uma capa, não mais do que isso. E lá foram eles. Ele, que conhecia já a região, explicava para ela a necessidade de se preservar determinadas espécies, e o quanto era difícil convencer o empreendedor – o cliente de ambos – que as licenças ambientais deveriam ser obtidas de acordo com as normas, o que no modo de ver do cliente era gastar mais dinheiro e perder tempo.

Ela nunca havia percebido o quanto os olhos dele brilhavam cada vez que falava sobre uma planta, ou uma joaninha que precisava de determinada espécie de flor. Foi-se deixando seduzir pela forma como ele apresentava cada musgo, cada semente que encontravam pelo caminho. Era encantador o entusiasmo dele por um besouro morto ou um grilo refugiado sob uma folha de antúrio.

A chuva apertou e resolveram voltar, ambos já encharcados. No caminho ela efetivamente deu-se conta que teriam de passar a noite ali, só os dois. Todo seu sistema de alerta pôs-se em funcionamento.

Com ele passava-se o mesmo, mas ela não havia notado, porque aquela falação toda sobre plantas e joaninhas, era nada mais nada menos do que a mesma sensação que ela agora experimentava, e que ele disfarçara em uma verborragia sem fim.

O mais interessante, é que quanto mais ele falava – por conta do nervosismo – mais ela se calava, pensando contribuir para as explicações intermináveis dele. Já ele, sem interlocutor, punha-se a falar mais ainda.

Chegaram já quase ao anoitecer. Ele mostrou-se um gentleman, acendeu a lareira, ofereceu-se para fazer o jantar enquanto ela tomava banho, e só depois, enquanto ela apreciava os livros na estante – e com jantar pronto – é que ele foi se banhar.

Jantaram, ele fizera um macarrão com funghi como ela nunca havia experimentado. O segredo, segundo ele, era marinar o fungo no vinho antes de refogá-los para o molho, não tivera muito tempo para isso, mas fora o suficiente para que ela elogia-se o prato.

Conversaram sobre quase tudo, família, perdas, clientes chatos, ex-amores, até que perceberam que estavam amigos, como nunca haviam sido apesar de se conhecerem já há algum tempo.

Nem os jantares que tiveram, cheios de estudo e estratégias, por parte de ambos, nem os poucos passeios juntos – talvez mais para saber como o outro funcionava fora do ambiente de trabalho – nada disso poderia tê-los preparado para uma noite de chuva, uma lareira, vinho e os dois à sós.

vinho lareira

O silêncio acabou por acontecer.

Sem saber muito bem o que fazer ele abriu a boca e acabou por ouvir-se dizer que estava ficando tarde, e que talvez ela estivesse cansada.

Assim que essas palavras saíram de sua boca percebeu a bobagem que tinha feito, mas não tinha como colocá-las de volta para dentro.

Ela ficou sem saber o que dizer, gaguejou e balançou a cabeça concordando. Foi pega tão de surpresa naquele desconvite, que tentando parecer natural levantou-se rápido, e aí aconteceu.

Talvez por conta do vinho, talvez por conta do Universo, o fato é que ao levantar das almofadas, no tapete onde estava estirada, desequilibrou-se. Ele acorreu em seu socorro, entornando a taça que estava no chão para segurá-la.

Conseguiu ampará-la por baixo das axilas, enlaçando seu corpo e levantando-a em um único movimento. Acabaram por ficar colados, com o rosto a centímetros um do outro. Era possível sentir a respiração e o acelerado batimento cardíaco de ambos. Essa situação toda que não deve ter durado mais de cinco segundos, entre ela levantar, desequilibrar-se, ele ampará-la e descobrirem-se com lábios quase se tocando, pareceu-lhes uma eternidade.

Não sabiam como sair daquela situação. Não sabiam como dizer “ – Nossa, você se machucou?” ou “- Uau, quase que eu fui!”, para depois com naturalidade darem boa noite um ao outro e irem para os respectivos quartos.

E por não saberem, ou talvez até, por não quererem que esses cinco segundos acabassem, é que permaneceram ali, sem se mexer, com medo de respirar mais forte ou mais fraco, com medo de piscar e o outro entender que era para se desvencilharem um do outro. Cada movimento agora tinha que ser cuidadosamente pensado, ou melhor, sentido, para que o outro não confundisse qualquer mexidinha com uma tentativa de desvencilhar-se da situação.

Ele resolveu arriscar, ergueu-a enquanto se punha também de pé, mas tendo o cuidado de não alterar a distância que mantinham um do outro.

Ela por sua vez não fez qualquer oposição. Era como se dançassem, ele conduzia, e ela se deixava levar.

Estavam já em pé, e pela primeira vez ele pensou em como os olhos dela eram lindos, de um castanho que parecia oscilar com a luz, ora claro, ora intenso. Puxou-a mais para si, e aproximou os lábios dela dos seus. A essa altura ela já não tinha mais resistências – podia-se até culpar o vinho -, mas o fato é que ela parecia estar esperando por aquele beijo há dias, semanas, quem sabe há quantos meses se conheciam?

A isso seguiu-se um entrelaçar de mãos, roupas que caíam e carícias, como se houvessem ensaiado tudo isso por muito tempo, tamanha a sintonia entre os dois.

Ele deslizou as mãos pelo corpo dela, e a única coisa que ela conseguiu pensar nessa hora é que se Deus fosse justo com o restante da humanidade, um homem bonito, inteligente e com um corpo daqueles, deveria ter um pênis pequeno. Mas quando sua mão encontrou seu destino, tudo que conseguiu sair de sua boca foi “- Aai…!” e concluiu em pensamento que Deus não era justo!

Ela não conseguia se lembrar quando fora a última vez que um homem a fizera sentir-se mulher. Não era uma questão de tempo, era uma questão de toque, de como ele valorizava cada centímetro do corpo dela, como se fosse mesmo um território a ser explorado com cuidado e reverência.

Seus corpos se encaixavam de forma harmônica, suave, os movimentos eram intensos, se aceleravam e retroagiam, magicamente. A criatividade dele a encantou, não apenas não se cansava, como a cada tanto propunha novas posições com habilidade e carinho. Atingiram um momento no qual ela pensou que ele havia gozado, que cairia para o lado, como tantas vezes já lhe havia acontecido, mas não. Ele foi descendo os lábios por todo seu corpo até chegar em seu sexo. Ela nunca imaginou que fosse possível sentir tanto prazer, sentiu-se culpada de tanto gozo, ergueu-o, trouxe para si colocando-o inteiro dentro de seu corpo, era injusto que um momento tão maravilhoso como aquele não fosse compartilhado.

Ele gozou. Arfavam. Abraçaram-se, e tornaram a se amar, e isso durou algum tempo até que adormeceram.

A claridade e os ruídos dos pássaros acabaram por acordá-la. Ficou em pânico, o que fazer, como ele reagiria agora, tinham um trabalho para fazer juntos, como seria dali em diante, o que ele pensaria dela!? Eram tantas perguntas, e no entanto ela só conseguia pensar em uma coisa: em como tinha sido bom!

Teve medo de se mexer e acordá-lo, talvez se conseguisse ir para o quarto, tomasse um banho e voltasse, como se nada tivesse acontecido, ele entenderia que fora apenas o vinho e retomariam a boa e velha relação de “faz-de-conta que nada está acontecendo aqui”.

Ela tentou desvencilhar-se vagarosamente do braço dele, mas quando ía levantar-se ele abriu os olhos, espreguiçou-se, e com o sorriso mais lindo do mundo disse:

– Você quer café antes ou depois? E puxou-a para si.

– Depois…